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Magnólia
Embora a maior parte das flores do jardim tivesse perfumes intensos e um colorido rico, também tínhamos dois pés de magnólia, com flores imensas, mas desprovidas de cor ou perfume. As flores de magnólia, quando maduras, ficavam cobertas de insetos diminutos, besouros minúsculos. As magnólias, explicou minha mãe, estavam entre as mais antigas das plantas floríferas, e tinham surgido mais ou menos 100 milhões de anos atrás, numa época em que os insetos “modernos”, como as abelhas, ainda não tinham se desenvolvido. Por isso, precisavam contar com um inseto mais antigo, um besouro, para a sua polinização. As abelhas e as borboletas, as flores coloridas e perfumadas, não estavam pré-encomendadas, esperando nos bastidores para entrar em cena – e na verdade podiam nunca ter aparecido. Desenvolveram-se juntas, por etapas infinitesimais, ao longo de milhões de anos. A idéia de um mundo sem abelhas ou borboletas, de flores sem perfume ou cor, deixou-me num estado de profunda admiração.
O mundo transformava-se numa superfície transparente, através da qual era possível ver toda a história da vida. A idéia de que ela podia ter transcorrido de outro modo, de que os dinossauros ainda poderiam estar percorrendo a face da terra, ou de que os seres humanos pudessem nunca ter aparecido, era estonteante. Fazia a vida parecer ainda mais preciosa, uma aventura extraordinária, sempre em andamento (“um glorioso acidente”, nas palavras de Stephen Jay Gould), não fixada ou predeterminada, sempre suscetível à mudança e a novas experiências.
Linus Pauling assinala, num ensaio autobiográfico, que leu “A Origem”, de Darwin, aos 10 anos de idade.
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